Retrospectiva 2018: 12 passos da evolução do café especial

Retrospectiva 2018

Não é segredo que o Brasil vem liderando a produção mundial de cafés especiais há muitas décadas, mas é a cada ano que o mundo descobre mais e mais sobre a excepcional qualidade dos cafés nacionais. Entregar excelência em grande escala faz parte dos feitos do segmento neste 2018 que vem chegando ao fim. Aqui, a u.Coffee aponta alguns fatos importante ocorridos no segmento dos cafés especiais, com base em matérias publicadas pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Também apontamos os posts mais acessados do nosso site para você conferir ou reler os assuntos que mais fizeram sucesso no universo coffee lover. Aproveitamos para desejar vibrações positivas na passagem de ano e um 2019 repleto de boas xícaras para todos. Feliz ano novo!

Confira agora a Retrospectiva 2018 do universo dos cafés especiais!

1) O sucesso dos grãos naturais

Em dezembro, os grãos naturais brasileiros roubaram a cena ao movimentarem mais de *R$ 1,172 milhão (US$ 303.084,82) no leilão dos 37 lotes vencedores da categoria “Naturals” do Cup of Excellence – Brazil 2018, principal concurso de qualidade internacional realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) dentro do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, em parceria com a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

2) A pontuação elevada

Entre os vencedores, os oito primeiros colocados receberam notas superiores a 90 pontos (escala de zero a 100 da competição) do júri internacional e foram eleitos cafés presidenciais. A diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, recorda que, em 2011, quando o Cup of Excellence no Brasil passou a ser realizado em duas categorias (“Naturals”, para cafés colhidos e secos com casca, e “Pulped Naturals”, para os cafés produzidos por via úmida), foi despertado o interesse do mundo sobre qual seria o resultado dos grãos naturais nacionais.

“Os produtores brasileiros responderam com excelência à expectativa. Os principais compradores internacionais valorizam nossos naturais e isso vem atraindo os ainda ‘desavisados’. Definitivamente, os cafés naturais brasileiros não apenas entraram na rota do mercado de especiais, mas saltaram ao topo do ranking qualitativo e são muito disputados para estarem à disposição nas gôndolas, prateleiras e xícaras dos mercados com os consumidores mais exigentes do mundo”, destaca.

3) Campeão

O lote campeão, produzido por Maria do Carmo Andrade, na Fazenda Paraíso, em Carmo do Paranaíba, na Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, foi 7.560% superior ao valor de fechamento da Bolsa de Nova York, principal plataforma comercial de café do mundo. Na bolsa norte-americana, o contrato mais negociado foi cotado a US$ 1,0595 por libra-peso (equivalente a R$ 542,13 por saca) na cotação do dia 5 de dezembro, enquanto o leilão do Cup of Excellence pagou US$ 80,10 por libra-peso, que correspondem aos R$ 40.986,01 por saca.

4) Maior preço

Em novembro, o café campeão da categoria “Pulped Naturals” do Cup of Excellence – Brazil 2018, produzido na Fazenda Primavera, em Angelândia, região da Chapada de Minas Gerais, foi leiloado por valor equivalente a US$ 143 por libra peso, o que corresponde a US$ 18.916 por uma saca de 60 kg. Esse é o maior preço pago por um café cultivado no Brasil e, com o dólar comercial cotado a *R$ 3,8575, o lote campeão receberá aproximadamente R$ 73 mil por saca (na cotação do dia).

Os lotes ofertados no leilão foram comprados por empresas de oito países, de mercados tradicionais e emergentes no consumo de café, como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Grécia, Taiwan e do próprio Brasil. “Os altos valores movimentados no leilão evidenciam o interesse das principais indústrias mundiais e dão o devido reconhecimento para os cafés especiais brasileiros, que são produzidos respeitando os princípios da sustentabilidade em seu tripé sócio-econômico-ambiental”, explica Vanusia.

5) Grãos especiais

Em outubro, a cidade mineira de Guaxupé (MG) sediou evento que apontou os melhores grãos especiais da safra atual, que venceram o Cup of Excellence – Brazil 2018. A empresa Primavera Agronegócios, com o lote produzido na Fazenda Primavera, em Angelândia, na região da Chapada de Minas Gerais, sagrou-se campeã da categoria “Pulped Naturals”, com a nota 93,89 pontos. Já o cultivado por Maria do Carmo Andrade, na Fazenda Paraíso, em Carmo do Paranaíba, situada na Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, foi o campeão da categoria “Naturals”, com 93,26 pontos.

Saiba mais: conheça as categorias que competem aos maiores prêmios do universo dos cafés especiais

6) PULPED NATURALS

Na categoria voltada aos cafés cerejas descascados e/ou despolpados, cinco amostras receberam o título de café presidencial, obtendo nota superior a 90 pontos do júri internacional: os cafés produzidos por Reinaldo Garcia dos Santos, no Sítio Fortaleza, em Luisburgo, nas Matas de Minas; pela empresa Dimap, na Fazenda Santo André, em Pratinha, na Denominação de Origem do Cerrado Mineiro; por Maria José Junqueira Céglia, na Granja São Francisco, em Carmo de Minas, na Identificação de Procedência da Mantiqueira de Minas; e por Antônio Macedo Souza, no sítio Santo Antônio, em Piatã, na Chapada Diamantina da Bahia, além do campeão. Houve, ainda, sete “National Winners”, com notas entre 84,00 e 85,99 pontos.

7) NATURALS

Dos 37 vencedores na categoria dedicada aos cafés naturais, colhidos e secos com casca, oito obtiveram o título de café presidencial, com nota superior a 90 pontos. Além da campeã Maria do Carmo Andrade, os lotes produzidos por Robson Vilela Martins, na Fazenda São Pedro, no município de Cristina; Alvaro Pereira Coli, do Sítio da Torre, em Carmo de Minas; Augusto Borges Ferreira, do Sítio Fortaleza, em São Gonçalo do Sapucaí; e Alessandro Alvez Hervaz, na Fazenda Fortaleza, também em São Gonçalo do Sapucaí, todos situados na Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas;

Por Salvador da Paixão Mesquita, na Chácara São Severino, em Piatã; e por José Renato Rodrigues Alves, na Chácara Vista Alegre, também em Piatã, na Chapada Diamantina, na Bahia; e por Silvia Dias Cambraia, na Fazenda Campo Alegre, em Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas Gerais, completam o seleto grupo. A categoria também teve um café considerado “National Winner”.

8) ORIGENS PRODUTORAS

A região com o maior número de vencedores na categoria “Naturals” foi a Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas, com 15 amostras (40,54% do total). Na sequência, vieram a Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, com nove lotes (24,32%); Sul de Minas, com seis cafés (16,22%); Chapada Diamantina, com três amostras (8,11%); Matas de Minas, com dois lotes (5,41%); e Média Mogiana e Indicação de Procedência da Alta Mogiana de São Paulo, com um café cada (2,70%). O resultado completo está disponível no site da BSCA: http://brazilcoffeenation.com.br/contest-edition/show/id/10.

Entre os 30 vencedores da categoria destinada aos cafés produzidos por via úmida, destacou-se a região da Chapada Diamantina, que respondeu por 15 desses lotes. Os demais ganhadores foram produzidos na Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas, com sete amostras (23,33%); Matas de Minas, com quatro cafés (13,33%); Sul de Minas, com dois lotes (6,67%); e Chapada de Minas e Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, com uma amostra cada (3,33%). O resultado completo está disponível no site da BSCA: http://brazilcoffeenation.com.br/contest-edition/show/id/11.

9) Novidades em conilon e robusta

Após uma série de análises e observações do trabalho que os atores da cadeia produtiva de Coffea canephora realizam no Brasil, focando cada vez mais em qualidade, excelência e alcançando resultados muito expressivos, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) informa que os empresários nacionais que trabalham com as variedades conilon e robusta poderão se filiar à entidade.

“O trabalho da BSCA sempre se norteou por evidenciar a excelência de todos os cafés do Brasil e esta é a hora dos cafés conilon e robusta nacionais, haja vista a maturidade em qualidade alcançada, a aceitação e o crescente interesse do mercado por esses novos atributos do produto”, destaca a diretora Vanusia Nogueira.

No Brasil, as duas variedades da espécie Coffea canephora mais cultivadas são conilon e robusta. Em 2018, elas representarão aproximadamente 24% da produção nacional, com a colheita estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 13,7 milhões de sacas de 60 kg (safra total de 58 milhões de sacas). Os principais Estados produtores da espécie são Espírito Santo, Bahia e Rondônia.

Para a diretora da BSCA, a iniciativa da Associação é potencializar os negócios relacionados aos cafés conilon e robusta, apresentando ao mundo a qualidade do produto. “‘Brasil. A Nação do Café’ é a nossa máxima. E o nosso país tem excelência na produção de todos os tipos e variedades. Vamos mostrar ao mundo que somos todos Brasil, que a qualidade de nossos cafés está intrínseca em cada grão cultivado, independente da espécie”, explica Vanusia.

10) Negócios

O resultado do desempenho nacional pôde ser conferido na maior feira de cafés especiais do mundo, a Global Specialty Coffee Expo, realizada em abril pela Specialty Coffee Association (SCA), em Seattle, nos Estados Unidos. A delegação brasileira contou com a participação de 35 empresas e concretizou US$ 32,405 milhões em negócios durante o evento.

Como comparação, a participação de também 35 empresas brasileiras na Global Specailty Coffee Expo em 2017 rendeu um total de US$ 77,356 milhões (US$ 10,576 milhões presenciais e US$ 66,780 milhões nos 12 meses seguintes), o que implica significativo crescimento de 392% na projeção para os negócios a serem concretizados em função da presença do Brasil na feira em 2018.

Os Estados Unidos são os maiores importadores e consumidores de café no mundo, além de principal destino das exportações brasileiras do produto. Em linha com a dimensão desse mercado, a Global Specialty Coffee Expo se consolida, há anos, como o principal evento internacional de cafés especiais e reúne todos os segmentos ligados a esse setor, desde origens produtoras aos baristas, que são responsáveis pela conexão direta com o cliente final.

“Pela importância dos Estados Unidos no universo cafeeiro e pela quantidade de profissionais e clientes que a feira envolve, nossa participação é fundamental e estratégica para reafirmar o Brasil como fornecedor de qualidade e para monitorarmos a evolução do segmento e dos diferentes temas relacionados ao mercado do café”, destaca a diretora da BSCA, Vanusia Nogueira.

11) Ações internacionais

Desenvolvido para promover e consolidar a marca dos cafés especiais do Brasil em todo o mundo, o projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, realizado em parceria por Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), contou com atividades em Singapura, Austrália e China em março. No total, o trabalho de promoção expectou gerar US$ 13,4 milhões em negócios, sendo US$ 4,04 milhões já concretizados presencialmente nos eventos e a expectativa de mais US$ 9,34 milhões até o fim deste ano.

12) Mercado em expansão

Na China, o projeto “Brazil. The Coffee Nation” conduziu a participação de dez empresas nacionais na Hotelex Shanghai Expo Finefoods, maior feira do setor de hotelaria e food service daquele país. Vale lembrar que o consumo de café no país mais populoso do mundo é crescente: na última década, teve um aumento bastante expressivo ao atingir volume equivalente a 3,8 milhões de sacas no ano-cafeeiro 2017-2018.

Esse número que representa aumento superior a mil por cento (1.032%) em relação ao volume consumido em 2008-2009, que foi de 300 mil sacas. Tal incremento pode ser atribuído principalmente ao expressivo crescimento econômico do paí­s nas últimas décadas, o que tem proporcionado elevação do padrão médio de consumo da população, inclusive aumento da demanda por café. Que venha 2019!

Confira os posts mais lidos da uCoffee em 2018:

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https://blog.ucoffee.com.br/coador-de-pano-ou-de-papel/

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