Café x chá: conheça semelhanças e diferenças entre as bebidas

Café x Chá

Cultivados em diversas regiões do mundo e de origem milenar, o café e o chá têm muito mais pontos em comum do que imaginamos. A começar pela popularidade: depois de água, são as duas bebidas mais consumidas do mundo.

Também o preparo em infusão é característica dos dois, assim como a presença de cafeína; tanto no fruto do cafeeiro quanto na folha da Camellia sinensins. Essa é a planta que resulta no “verdadeiro” chá, que pode ser branco, amarelo, verde, oolong, preto…

Há, ainda, o consumo motivado por propriedades, efeitos e até usos medicinais. Aliás, é aqui que as duas bebidas começam a se mostrar diferentes: enquanto uma é mais famosa por despertar, a outra é mais lembrada em momentos de relaxamento. Está aí uma das razões para demandarem negócios distintos no mercado, as cafeterias e as casas de chá. “Ambas são apreciadas em qualquer hora e lugar devido à praticidade de consumo e ao bem-estar que proporcionam. Mas possuem características organolépticas distintas; isso faz com que sejam bem diferentes na hora de comercializar.”, analisa Milena Gonçalves, chef com experiência no segmento de bebidas e em gastronomia criativa.

Os rituais de preparo e de consumo também são diferenciados entre as duas bebidas. “Existem mercados distintos, públicos diferentes. Uma casa de chá se difere de uma cafeteria pelo simples fato do cliente buscar por rituais de preparo diferentes. Enquanto as cafeterias possuem diversos métodos de extração do café, as casas de chá oferecem diferentes preparos de infusões.”, destaca ela.

Milena Gonçalves (Arquivo Pessoal/Divulgação)“Pensando nessas posições de mercado, é preciso definir muito bem o segmento do negócio – café ou chá – e focar especificamente no desenvolvimento dele. É importante pensar na experiência que será ofertada ao cliente pois é essa definição que irá diferenciar os públicos”.

Milena Gonçalves, chef com experiência no segmento de bebidas e em gastronomia criativa

Conceito x paladar

Milena também cita a diferença de conceitos. Conta que o café é uma bebida preparada  a partir dos grãos torrados e moídos do cafeeiro, por infusão em água quente. “Geralmente é servido quente, mas também pode ser consumido ou até extraído gelado”, lembra. Já o chá  é o nome de uma planta, a Camellia sinensis. “Devemos chamar de chá somente as infusões feitas a partir dessa planta, que dá origem a seis sabores distintos; são o resultado de processos de produção e comercialização também distintos. O preparo de infusões com outras substâncias aromáticas (folhas, frutos, flores) deve ser chamado de infusões ou tisanas”.

Para o café, por exemplo, existem inúmeras formas de preparo: coados, por infusão, por pressão/vácuo, sachê, solúvel, cold brew, entre outros. Os chás mais comuns são preparados por infusão, mas também existem os solúveis e os extraídos a frio.

Assim, apesar do modo de preparo algumas vezes semelhante (por infusão), café e chá têm características e personalidades diferentes. “As variações de aroma, amargor, doçura e acidez do café vão depender de sua variedade, tipo de torra, moagem e preparo. Já os chás feitos a partir da Camellia sinensis, os seja, os tipo branco, amarelo, verde, oolong, preto e escuro, cada qual conta com aroma, sabor e características gustativa específicas”.

Componentes x propriedades  

A especialista aponta a cafeína, substância responsável pelo estímulo do sistema nervoso central, como o componente mais conhecido e valorizado do café. Cita ainda as lactonas, que também atuam sobre o cérebro, quase na mesma proporção da cafeína.

E, ainda, a celulose (que estimula os intestinos); os minerais, também aproveitados pelo organismo; os açúcares que dão o toque final ao sabor; o material lipídico (responsável pelo aroma), as proteínas, que formam a tinta e dão cor ao café, e o tanino – que interfere no sabor, entre outras substâncias.

E reforça que também o chá possui a cafeína, alcaloide presente na folha da Camellia sinensis.

Você sabia? “Os chás branco,  amarelo, verde, oolong, preto e escuro também possuem cafeína. A substância está presente ainda nos refrigerantes de cola, cacau, achocolatados, algumas gomas e mascar e em bebidas energéticas. Pode ser introduzida também em complementos alimentares.”

Milena Gonçalves, chef com experiência no segmento de bebidas e em gastronomia criativa      

A chef cita outros componentes da planta que origina o chá. A teofilina auxilia nos tratamentos de asma e doença pulmonar, além de ser estimulante do sistema nervoso central, estimular a secreção de ácido e enzimas pelo estômago e a contração cardíaca. A já falada cafeína, que ajuda no aumento da concentração, melhora o humor, diminui a fadiga, provoca um aumento discreto na frequência e intensidade da respiração, controla os sintomas da TPM, e é bastante diurética.

O tanino, antídoto em intoxicações por metais pesados e alcaloides, além de adstringente, cicatrizante, antisséptico e antioxidante. E os flavonoides, que auxiliam na absorção de vitamina C e tem ações anti-inflamatória, antialérgica, anti-hemorrágica e antioxidante.

Confira o quanto de cafeína há em seu café ou chá preferido

Uma xícara de café espresso ………     300mg
Uma xícara de café coado………….. 150mg
Uma xícara de chá ……..….………… 20–70mg
Chá mate (1 xícara de chá) …………..     20 a 30 mg
Chá verde (1 xícara de chá) …………..    25 a 40 mg
Chá preto (1 xícara de chá) ………….. 15 a 60 mg

Preferência de consumoCafé ou Chá

Nas casas especializadas ou mesmo em casa, o chá oferece ao consumidor a opção de participar ativamente da criação de um blend (mistura) e, assim, buscar sabores específicos, além de benefícios relacionados à saúde e ao bem-estar. “Os blends são misturas de ervas, flores, frutos e caules que, juntos, formam uma perfeita combinação satisfatória ao paladar e propõe uma interação do cliente com o produto que ele mesmo irá consumir. É depositada ali sua energia e tudo o que ele deseja naquele momento”, frisa ela.

Nesse sentido, o café prevê menos participação do consumidor final, pois muitas vezes é preparado pelo barista. O cliente mantém ali uma atuação mais discreta, relacionada à preferência de método de preparo, por exemplo. “Aqui está a diferença de públicos que citei lá no início. Os objetivos são diferentes para quem busca um café e uma boa prosa, e para quem busca um chá para relaxar”, percebe a especialista.

Mas ambos têm lugar cativo na rotina do consumidor. “Em minha visão profissional, o café está mais difundido no meio social por ser uma bebida economicamente mais acessível e de fácil consumo. As pessoas se reúnem para tomar um café, não necessariamente para consumir a bebida. Culturalmente falando, estamos acostumados a servir e apreciar o café”, discorre a especialista. E traça um paralelo: “Hoje, a cultura do chá tem sido estudada e apreciada por muitos, mas ainda é pouco difundida no Brasil; principalmente se pensarmos nos benefícios do consumo do chá e suas diversas possibilidades. E é possível consumir chá e café em qualquer hora e lugar, basta usar a criatividade!”

Café ou chá – paixões mundiais

Por fim, Milena traça um paralelo entre os universos dos cafés especiais e do chás, acreditando que ainda há muito a ser descoberto pelo consumidor brasileiro nesse caminho repleto de história e de possibilidades. “O brasileiro ainda não está 100% acostumado com os cafés especiais; o produto possui características diferentes do produto convencional, como cor, aroma e estrutura. São cafés selecionados, com torras mais claras, moagem específica, e, muitas vezes, saem mais claros na xícara. Daí o preconceito do café ficar com o aspecto aguado.” E ensina como corrigir a ideia que não corresponde à realidade. “Esse pré-conceito só pode ser resolvido com a experiência de xícara, e, a partir daí, o consumidor formará novas opiniões sobre estes cafés incríveis, produzidos especialmente para agradar a todos os paladares.”

Para ela, também os chás vem galgando seu espaço. “Eles estão sendo muito procurados pelo ritual de consumo e benefícios que proporcionam. Há um tempo atrás, o chá era consumido somente para curar doenças e para emagrecer. Hoje, podemos dizer que essa bebida está se tornando mais popular, ao ponto de ser comercializada de diferentes formas.”

Milena encerra com um sorriso no rosto. “Fico muito feliz em saber que as pessoas estão se adaptando ao ‘novo’, percebendo as infinitas possibilidades de usufruir de um bom café especial e saborear um verdadeiro chá”. E compartilha com a u.Coffee dicas de preparo que fazem parte da sua rotina. Experimente você também!

Chá:

“Crio meu próprio blend, tendo como base a Camellia sinensis, acrescento algumas flores, frutas, folhas. Desta preparação, faço a infusão e aí abro as portas para a imaginação”.

“Um chá que amo é um blend que eu mesma desenvolvi composto por chá verde, pêra desidratada e botões de jasmim. Faço uma infusão com água em ponto de ebulição e deixo durante 3 minutos. Gosto dele tanto quente quanto frio.”

Café:

“Prefiro o coado, por ser mais tranquilo no paladar e espalhar pela casa  sentir um aroma delicioso.”

“Um café que gosto muito é o Bourbon Amarelo, uma variedade 100% arábica da Cambraia Cafés Especiais. Moído e com torra média. Possui notas cítricas e achocolatadas, com sabor naturalmente doce.”

Receitas de Milena:

Café com laranja:

1\2  xícara de café coado sem açúcar (primeiramente, deixar esfriar), 1 xícara de suco de laranja, gelo a gosto. Misture tudo em um copo bem bonito e, em seguida, saboreie numa tarde de sol.

Mate com maçã:

1 xícara de chá mate concentrado (2 medidas de chá para 1 de água), 1\2 xícara de suco de maçã, 1 xícara de água com gás, gelo a gosto. Misture tudo e saboreie com os amigos.

Drinque dos Deuses:

1\2 xícara de café espresso, 1\2 xícara de chá preto com pêssego (vem no sachê), 1 dose de rum branco, gelo a gosto. Note que ambos (café e chá) têm que estar frios. É só misturar e degustar esse drinque que fica uma delícia.

 

FOTOS:

Arquivo Pessoal/Divulgação

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