Cafés especiais: mercado em franca expansão

Mercado em expansão

Ele é o cara do café. Administrador de empresas formado pela FAAP – SP, Caio Alonso Fontes conhece todos os Caio Alonsonomes da área. Pudera: é editor da revista Espresso e sócio da Café Editora desde 2003. Um dos idealizadores da Semana Internacional do Café (SIC); evento que agrega a comunidade global envolvida e apaixonada pelo café anualmente no Expominas, em BH, capital mineira. O especialista pesquisa a fundo e vem se tornando referência em identificar tendências de mercado; Acompanha o passo a passo da evolução da cena nacional de cafés especiais. Ele acredita que o fruto do cafeeiro dará muito mais xícaras e alegrias nos próximos anos.

Neste 2019 novinho em folha, Caio conversou com a u.Coffee sobre a terceira onda do café, a paixão do brasileiro pela bebida e a do mundo pelo café brasileiro. Sim, estamos na ponta do ranking mundial de produção; os cafés brasileiros são reconhecidos em centenas de países; estamos de olho na expansão de consumo na China, um mercado robusto e promissor para produtores e outros elos da cadeia. E ainda temos muito a crescer.

Metas para o mercado

Prova vem de pesquisa recente da Euromonitor International, encomendado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a fim de compreender o tamanho do mercado de cafés especiais no Brasil e projetar o crescimento para os próximos anos.

Também analisar os segmentos e posicionamentos do setor, identificar os principais canais de venda, as tendências que impactam este mercado e compreender o negócio de cafeterias no Brasil. O levantamento, que contou com visitas a cafeterias, varejos em geral e entrevistas, deu conta de que o mercado de cafés especiais movimentou no varejo, em 2016, R$ 3,2 bilhões e que, embora ainda represente 5,1% em volume do total de cafés (varejo e foodservice), vem ganhando espaço ano a ano.

Em número de sacas, o consumo nacional corresponde a 901,7 mil sacas do grão especial. Entre 2012 e 2016 o crescimento médio anual foi de 18,1% no consumo (volume) de café especial. E deve chegar a 1,7 milhão de sacas de especiais até 2021, segundo projeção da pesquisa.

“Até 2020 o varejo de café especiais dobrará de tamanho em vendas, passando a movimentar R$ 6,4 milhões”.

Euromonitor International

A cena nacional ferve

Caio Fontes comenta a cena nacional e repercute a Semana Internacional do Café, que levou mais de 250 compradores internacionais, de 60 países distintos e mais de 160 expositores a Belo Horizonte em novembro do ano passado. Ao todo, mais de 50 mil cafés foram degustados nos três dias de evento. “A diversidade de públicos nacional e internacional e, especialmente, o amadurecimento do mercado interno em relação aos cafés especiais são fatores decisivos neste franco amadurecimento do mercado interno”, disse após o evento.

Ainda segundo Caio, a SIC é uma plataforma robusta de negócios para o Brasil e o mundo, com qualidade já reconhecida. Um celeiro nacional, que incentiva os novos negócios de café especial, fomentados nos últimos anos, abrindo ainda mais oportunidades para produtores e todos os elos da cadeia.

Cupping

Você Sabia? Conforme pesquisa da Reuters, o mercado de cafés especiais irá dobrar de tamanho até 2020.

Caio registra ainda os muitos negócios realizados já durante a feira. “Compradores provaram cafés e fecharam negócios ali mesmo no estande”, comemora. E acrescenta que nas mesas de cupping (prova de cafés), um dos atrativos mais aguardados da agenda da SIC, o crescimento do pequeno produtor já fazendo negócio direto com o comprador ficou evidente.

“O consumo de cafés especiais cresce cinco vezes mais no Brasil do que o de café convencional. É um cenário promissor”.

Caio Alonso Fontes

Futuro

Também na SIC,  os temas Mercado – O que se entende por café especial? e Tendência de Processamento e Comercialização de Cafés Especiais, debatidos por profissionais como Fabrício Andrade (SanCoffee), Trish Rothgeb (CEO e Mestre de Torra da Wrecking Ball Coffee Roasters, Estados Unidos) e Margarete M. L. Volpato (Pesquisadora da Epamig); Mariana Proença (diretora da Revista Espresso),  Henry Wilson (fundador do Perfect Daily Grind) e Sasa Sestic (fundador da ONA Coffee e Campeão Mundial de Barista 2015), jogou luz no cada vez mais promissor cenário nacional. Em foco, aromas e sabores do café; aspectos da geografia dos cafés especiais de Minas; atualidades em marketing para cafés especiais e fermentação, sabores e aromas exóticos (modismo ou tendência?) indicaram que o mercado segue em plena expansão.

SIC 2019

Com próxima edição já marcada para novembro deste 2019, Caio diz que o Brasil brilha na cena. E vai longe. “O objetivo dos eventos é agregar a comunidade internacional apaixonada pelo café, além de mostrar como o mercado tem profissionais diferenciados no preparo da bebida mais consumida no mundo. Estamos colhendo frutos da conexão promovida entre todos os elos do setor, diversidade de públicos nacionais e internacionais, amadurecimento do mercado interno e relevância no incentivo a novos negócios de café especial. Para nós é uma grande oportunidade contribuir para a realização da SIC e para o desenvolvimento do mercado dos cafés especiais”, aponta. Confira, a seguir, um bate-papo com ele. De preferência degustando um excelente café!

A Semana Internacional do Café e mais

SICu.Coffee: Desde quando a SIC existe?

Caio: A SIC nasceu em 2006, em SP, com o objetivo de fazer uma conexão da cadeia cafeeira do mercado de qualidade, mercado que a gente chama de especial. O evento foi crescendo e em 2013 foi para BH, onde ganhou uma musculatura enorme por que o Estado de Minas Gerais é reconhecido como produtor de café e, na capital mineira, a gente conseguiu acelerar a conexão com a área produtiva, com a área de negócios e a de conhecimento. Também fomos muito bem recebidos por meio de parcerias com entidades como Faemg, Sebrae e Secretaria de Agricultura.  

Qual é o conceito do evento e o que ele representa para a cadeia nacional do café especial?

A SIC hoje representa para o Brasil uma plataforma e um meio de promoção dos nossos cafés e da nossa cultura. Hoje, temos através dela oportunidade de mostrar tanto para nosso mercado nacional, que é o segundo maior do mundo, quanto para o mercado internacional o que há de melhor em cafés, em sabores, variedades, o que há de tecnologia e de pesquisa. Então, a gente resume em três dias área de exposição, de conhecimento, de experiência, de negócios para o mundo inteiro e para o mercado nacional.   

Quem participa?

A cadeia cafeeira como um todo; desde o pequeno produtor até o grande, além de cooperativas, associações, municípios, regiões organizadas, toda a parte de indústria e de serviços como embalagem, tecnologia, pesquisa, cafeterias, restaurantes e, claro, os coffee lovers ou apaixonados por café.

Quais são os principais objetivos da SIC?

Essa plataforma de conexão tem como um grande objetivo colocar o produtor em contato com essa cadeia. Para que ele conheça mais o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Para que se motive e entenda a importância dele nessa cadeia e na sustentabilidade, tema que também é super importante para nós como pôde ser visto no Fórum de agricultura sustentável, evento já tradicional na SIC que contou com a participação de mais de mil produtores que discutiram temas como  sustentabilidade, boas práticas, casos de sucesso. Exatamente para propagar esse conhecimento e essa informação.

CompetiçõesQual é a importância de haver campeonatos internacionais no evento?

Todos os campeonatos mundiais que vem acontecendo aqui no Brasil têm a sua relevância. Eu quero destacar que o World Cup Tasters, que é o campeonato de prova de café, tem uma ligação muito forte com o país pelo fato de sermos o maior produtor de café do mundo. E traz algo importante pra gente porque coloca o provador de café, o classificador em destaque, valorizando esse profissional.   

Quais provas você destaca? Por favor, justifique.

Sediamos cinco eventos mundiais, quatro deles de baristas. Um trabalho que começamos em 2010, tentando trazer esse evento para o Brasil que em 2018 se consolidou na SIC. O barista é aquele profissional que tem, em uma feira, um papel muito importante de conexão. Muitas vezes é ele o interlocutor, esse elo entre a produção, a cafeteria e o consumidor final. Então, trazer os melhores do mundo para o Brasil representa uma oportunidade de contato, de aprendizado e de conhecimento incrível para ambos os lados.  

Ouvimos no Expominas que o evento cresceu bastante, inclusive em relação ao design dos estandes. Confere? Comente, por favor.

O evento cresceu cerca de 40% em 2018. E realmente os estandes, os investimentos das empresas e marcas participantes foi bem grande; isso mostra um pouco do desenvolvimento pelo qual o café especial está passando. O reflexo da feira é o do mercado.

O mercado de cafés especiais cresce na casa de dois dígitos.

A Reuters fala que o mercado de cafés especiais no varejo vai dobrar de tamanho até 2020. Então, realmente, a gente vê o crescimento dessa onda.

E sobre os cursos e palestras ofertados? De que forma contribuem para disseminar a cultura do café especial no Brasil?

Foram mais de 25 eventos paralelos ao longo dos três dias de SIC. Então, fora os campeonatos e a conferência global de sustentabilidade, também evento internacional; houve workshops, palestras, cursos de torra, de classificação, como abrir uma cafeteria. E desde o início, desde o primeiro evento que a gente montou em 2006, verticalizar o conteúdo é extremamente importante; acreditamos que é a base do crescimento tanto no mercado real, na economia real do café, quanto no evento. Investir em conhecimento está no nosso DNA; é algo de que não abrimos mão por termos a certeza de que disseminar conhecimento é transformador.  

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