Por dentro do grão: Conheça a história do café

Por dentro do grão

A história do café, uma das bebidas mais consumidas do mundo, é longa e antiga. O começo dessa história data de dois mil anos atrás. Lá nas montanhas da Etiópia, quando o fruto de cafeeiros silvestres foram descobertos pelos habitantes locais. Num primeiro momento, os povos do país africano reconhecido como berço da planta consumiam o grão não processado, logo que colhiam no pé. Daí descobriram aroma e sabor, e outras propriedades energéticas da frutinha vermelha. A partir daí aprenderam a triturar e moer os grãos e, depois, misturá-lo na água. Assim, criaram a bebida escura e potente, presente em culturas do mundo todo. “O cheiro levou o homem a moer o fruto, misturar o pó na água e iniciar a produção que só se atualiza com o passar do tempo”, explica o historiador Jacques Schop no livro Café, da editora Melhoramentos.

Mas você sabe exatamente o que é o café? Quantas variedades existem? Quais são as características de cada uma delas? Aqui, a u.Coffee convida você a ficar por dentro do grão.

Vamos conhecer mais sobre essa paixão mundial?

O começo

´Xícara de Café

A história do café começa na Etiópia – país em que até hoje o produto é o centro da economia local (e responde por 60% da renda da população). Do país africano, o grão viajou pelo mundo. Passou a ser torrado no século XV e chegou ao mundo contemporâneo como ingrediente nobre. Presente desde o café da manhã até à alta gastronomia; celebrado em cafeterias famosas; preparado a partir de variados métodos de extração, o café agrada a diferentes paladares. Ainda segundo Schop, “Do berço africano, o cafeeiro caiu nas graças de árabes e turcos, povos que espalharam a cultura do café pelo mundo. E isso graças a mercadores que saíram do porto de Mokha, na Península Arábica, levando as primeiras sementes da poderosa frutinha a povos do Império Otomano e a países como Áustria, Itália, Inglaterra e França”.  

O café atravessou o tempo e, como resultado, ficou conhecido por gerações. Assim, passou a ser cultivado em lavouras de todo o planeta. Por isso, hoje é unanimidade no interior e nos centros urbanos; Afinal, uma xícara de café pela manhã é sinônimo de disposição para a jornada de cada dia.

Que bebida é essa?

De fato, as propriedades sensoriais e nutricionais do pequeno grão o levaram ao posto de segundo produto mais consumido e negociado do mundo, atrás apenas do petróleo. O café também é responsável pela conexão entre povos, chama à confraternização em torno da mesa, remete à reunião e aos momentos de pausa. Não por acaso, estima-se que 500 bilhões de xícaras sejam consumidas anualmente.

Robusta x Arabica

Sim, existem mais de 100 espécies de café por aí, cita Isabela Raposeiras, uma das baristas mais respeitadas do Brasil. No entanto, do ponto de vista comercial, duas são apontadas como as mais importantes: a arábica e a robusta.

Para os amantes do café, interessa a produção de arábica, uma vez que a robusta é limitada a uma bebida de qualidade inferior. Assim, aqui, nossa incursão privilegia as variedades coffea arabica. São exemplos: Catuaí, Bourbon, Icatu, Mundo Novo e Típica (veja a descrição detalhada no final da página).

No Brasil

 

Fazenda de café

No Brasil, o cultivo do café teve início a partir do século 18. Desde então, a produção é famosa nos estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. No país tropical “abençoado por Deus e bonito por natureza”, o cafeeiro encontrou solo fértil, clima adequado, diversidade de terroir. Talvez por isso, entrou para a história social, política e econômica como uma das principais commodities agrícolas de todos os tempos. Como resultado, há anos, o país lidera o ranking mundial de produção e exportação. A cadeia produtiva do café envolve plantio, colheita, maturação, processamento, beneficiamento e torrefação.

Com a globalização, o café está cada vez mais próximo do consumidor. Isso porque a rede de comunicação mundial e sem fronteiras abre caminho para muitas e muitas possibilidades de descoberta. Por aqui, todo o universo de sabores selecionados fica ao alcance de um clique.

E é na rede social que compartilhamos as melhores descobertas com os amigos, não é verdade? Afinal, somos parceiros na vida e adoramos dividir aquele momento especial; ainda mais quando em companhia de um delicioso café!

A composição do café

Espécie: Arábica
O fruto: casca, grão, polpa ou mucilagem, pergaminho

GrãosCuriosidades:

– A florada do café dura de três a quatro dias;
– Quanto menos floradas houver, mais homogênea será a colheita;
– Os chumbinhos – ou brotos verdes – surgem algumas semanas depois;
– Os frutos amadurecem em período longo: de seis a oito meses; Maduras, as frutas ganham tom vermelho (e são apelidadas de cerejas) ou amarelo intenso e brilhante.
– Cada cereja contém dois grãos de café (a exceção dos cafés moka, originados de uma fruta que formou apenas uma semente)

 

Variedades cultivadas no Brasil e no mundo:

  • Catuaí – Resultado de seleção obtida a partir de cruzamentos entre o caturra e o mundo novo feitos em Campinas, em 1949. Do tupi-guarani, catuaí quer dizer “muito bom”. Com boa adaptação, resistente ao vento, a ferrugem e à seca, o catuaí amarelo também se originou a partir de uma seleção específica desses cruzamentos. Ao lado do mundo novo, é um dos mais plantado no Brasil.
  • Catucaí – Variedade muito produtiva, nascida em 1986 a partir de um cruzamento natural entre o Icatu e o Catuaí.
  • Bourbon – Teve origem nas ilhas Reunião, no Oceano Índico, antigamente conhecidas como Bourbon. Veio do Iêmen, por volta de 1715, e migrou para a América Latina e a África Ocidental. Chegou o Brasil em 1859. Há dois cultivares da variedade, o vermelho e o amarelo (apreciado certamente por sua intensa doçura).
  • Icatu – Nasceu na década de 1950 do cruzamento do robusta com o bourbon vermelho, e depois com o mundo novo e o catuaí. A partir daí cientistas selecionaram as melhores linhagens de frutos vermelhos (icatu vermelho), de frutos amarelos (Icatu amarelo) e de maturação precoce (Icatu precoce).  
  • Mundo Novo – Variedade nascida no Brasil no final do século 19 a partir do cruzamento natural entre o típica proveniente de Sumatra (Indonésia) e o bourbon vermelho. É um cultivar produtivo e vigoroso que, acima de tudo, se adapta bem em vários ambientes.
  • Típica – Variedade original de arábica que partiu do Iêmen no início do século 16 e se disseminou pela Ásia. A partir de 1720, espalhou-se pela América Latina e Caribe. 

Fonte: Livro Café, Carlos A. Andreotti, Melhoramentos, 2012, 271 páginas.

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