Cafés especiais: o que a embalagem diz sobre o conteúdo?
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Já falamos aqui sobre os tipos de café especiais disponíveis na u.Coffee e no mercado brasileiro. Abordamos a importância do terroir para a qualidade da bebida que chega à sua xícara; também destacamos o significado dos conceitos microlotes, single origem e fazenda única. Hoje, queremos contar o que a embalagem diz sobre o café. Conhecer tais informações pode ajudar o consumidor a identificar a bebida que mais combina com seu paladar e estilo de vida.
Primeiramente, as marcas de cafés especiais, em geral, apresentam cuidados com design, tecnologia embarcada e informações de rastreabilidade nas embalagens. Isso permite contar a história da qualidade do café e ajuda, também, a formar um público cada vez mais conhecedor e antenado. Primeiro contato do consumidor com o café, a embalagem é o cartão de visitas de uma produção. É o que aponta Lucas Goulart Collares, biólogo, mestre em ensino e sócio-proprietário do Café Itaoca. A marca foi fundada em 2013 e Lucas é o responsável pela comercialização do café da fazenda de mesmo nome. “O design chama a atenção do consumidor nas prateleiras e imagens dos e-commerces. Nossas embalagens, por exemplo, são em kraft por fora, padrão que expressa um ar artesanal e indica nossa preocupação com sustentabilidade e o meio ambiente”, aponta.
Foi a partir da década de 1990, o mercado brasileiro começou a descobrir e investir nas particularidades dos cafés especiais. É o que diz Lauro Araújo Ré, especialista em cafés da marca Três Corações. Com o movimento coffee lovers e a chamada terceira onda do café, os produtores adotaram também preocupação com a embalagem. “Tal processo ajuda o consumidor a identificar microrregiões produtoras, diferentes perfis de café, a trajetória do produtor. Essa qualidade de informação dos rótulos faz com que o consumidor assimile as características do café especial mais rápido, gera laços de confiança e traz cada vez mais público para o universo coffee lovers”, analisa.
As quatro faces
Lauro chama a atenção para uma observação mais atenta às quatro faces da embalagem. A primeira costuma trazer a logomarca, informações sobre espécie ou blend, peso.
O Café Itaoca, produtor que só torra cafés especiais acima de 84 pontos, trabalha três linhas: catuaí vermelho peneira 17-18; catuaí vermelho peneira 19 e bourbon amarelo peneira 17-18. Na embalagem da marca, também a válvula é importante. Espécie de diafragma com tecnologia agregada, o recurso impede a entrada de gás carbônico (CO2), evita a oxidação do café. Também permite ao consumidor sentir o aroma do produto, antecipando a experiência sensorial. “Investimos na válvula aromática para que os clientes possam sentir o aroma do café e também para preservarmos ao máximo as qualidades sensoriais do produto”, cita Lucas. A embalagem do café premiado também traz sistema de fechamento hermético com zíper. Isso ajuda a manter o frescor do café mesmo depois de a embalagem ser aberta.

No verso, os produtores costumam identificar a origem da lavoura. São dados de rastreabilidade sobre procedência (fazenda e região), terroir (altitude média e clima), data de colheita e de torra, além de notas sensoriais, dados importantes para a escolha de um café especial. Outra informação relevante para uma experiência de degustação de qualidade é o tipo e a data da torra. Marcos Willians, mais conhecido como Will, é barista, mestre de torra e proprietário da cafeteria Will Coffee, sediada em Contagem. Ele lembra que a embalagem deve conter descrição de perfil de processamento do café, fazenda, região e variedade. “Também a data de fabricação, cuja validade é de 30 a 90 dias após a torra. O ideal é oferecer ao consumidor o máximo de informações em relação à origem desse produto, inclusive perfil sensorial e data de torrefação.”
“Torramos café semanalmente. Depois do processo, os grãos são mantidos em caixas de plástico, moídos e embalados apenas no dia da entrega, o que garante sempre um café fresco.”
Lucas Goulart Collares, produtor da Fazenda Itaoca
Nas laterais, muitos produtores destacam os selos de certificação e de qualidade, além das premiações conquistadas pelo produto. “É o rastreamento de uma produção que permite identificar informações sobre a trajetória e a qualidade de um produto especial. Nesse sentido, os selos garantem tal procedência, contam uma história”, diz Will.
O especialista admite que os selos não são obrigatórios, mas indica: “quanto mais certificação o café possui, mais respeitabilidade, credibilidade e competitividade tem no mercado e na cadeia produtiva”.
Por dentro
O interior da embalagem também apresentam recursos que ajudam a preservar o frescor e as características sensoriais do café. “Exemplo de ponta vem do material interno composto por lâminas de alumínio com revestimento de película sintética livre de PBA”, diz o barista. Em síntese, completa Will, a embalagem deve ter performance autônoma e ser capaz de dispensar o uso de refrigerador, mantendo o café em seu interior fresco. “Para preservar o café, basta guardar a embalagem em lugar seco e arejado”.
O café Itaoca
Um terroir privilegiado, a escolha de variedades adequada, os cuidados na colheita e pós-colheita, a armazenagem. Processos de excelência em beneficiamento, torrefação e moagem; empacotamento e embalagens com alta tecnologia, além de propósitos de sustentabilidade ambiental e social na propriedade. “Este conjunto de fatores, aliado à tradição e experiência de quem produz, determina o grau de qualidade do café Itaoca”, aponta o produtor e sócio da marca, Lucas Goulart Collares.
Entre os prêmios da fazenda Itaoca, localizada No Sul de Minas, município de Conceição do Rio Verde, destaque para o nono lugar na “III Prova de Cafés Certificados”, da Rainforest Alliance. “Concorremos com cafés certificados de todo o Brasil”, orgulha-se Collares.
Terroir
A Fazenda Itaoca está delimitada por uma cadeia de montanhas formadas pelos contrafortes da Serra da Mantiqueira, com estações climáticas bem definidas e fontes de água mineral, proporcionando assim, condições ideais à produção de um café único, inigualável e de alta qualidade.
Perfil sensorial
Aroma de frutas amarelas e baunilha, caramelado, acidez cítrica e finalização longa com notas de chocolate ao leite.
Oferta
Pacotes de 250g, moídos de forma personalizada ou em grãos para o consumidor extrair seu café filtrado, numa cafeteira italiana ou ainda na Frech Press; Sachês sistema ESE – Permitem uma perfeita extração nas máquinas específicas de grupo com peneira adequada.
Saiba mais
Os produtores de café começaram a incrementar as informações de rótulo a partir da terceira onda do café, iniciada em 2002 nos EUA, quando a bebida passou a ser tratada como produto da gastronomia com singularidades semelhantes aos queijos e vinhos. Nessa onda,o ideal é valorizar pequenos torrefadores, promover marcas e grãos regionais, produtores familiares e cooperativas.
A partir dali, as embalagens passaram a conter dados como variedade do grão, região de cultivo, fazenda e região produtora, trajetória dos produtores, informações que atestam a qualidade do produto
Verifique se a marca possui selos ABIC, BSCA, UTZ, Rainforest, além dos biodinâmicos e orgânicos
Cafés identificados como “processo natural” são referentes a grãos colhidos no ápice da maturação e secados em terreiros, com casca e tudo.
Já o “cereja descascado” ou CD revela que os frutos passam por um descascador antes da secagem, o que resulta em um café mais leve, aromático, suave, com acidez brilhante e pronunciada.
Processos honey e a fermentação controlada resultam em cafés complexos, de sabor amanteigado.
Saiba decifrar o rótulo
O barista Will revela que o processamento do café varia de fazenda para fazenda. “É a forma como o café é secado”, traduz. Os dois principais são natural e cereja descascado. “Mas também temos os cafés que sofrem alguma fermentação controlada como, por exemplo, o método honey. Todos são de qualidade, a escolha vai do gosto de cada consumidor”.
O perfil do café indica quais são as notas sensoriais encontradas na bebida como: caramelo, frutas amarelas ou vermelhas, chocolate.
Já a indicação do corpo do café diz respeito à acidez e à finalização. “Geralmente esse dado vem na ficha técnica, acompanhado de todos os dados de rastreabilidade desse café”.
Experimente analisar o rótulo do próximo café especial que receber da u.Coffee! Quanto mais rico for o seu conhecimento, mais interessante é a jornada dentro desse universo de cafés especiais.
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