Por que o café colombiano é tão famoso? Entenda suas diferenças!

café colombiano

Você já se perguntou qual é o melhor café do mundo?

Taí uma conversa que rende assunto para muitas e muitas xícaras.

Isso por que diversas regiões produtoras no planeta disputam o posto, cada uma com características peculiares. Neste século de evidência e desenvolvimento da cadeia produtiva de cafés premium, a corrida pela qualidade despontou e torna a concorrência mais acirrada. Neste cenário, os cafés cultivados nos trópicos, principalmente nos países das Américas, são apontados como os principais expoentes.  

No mercado gourmet, muitos apontam o café colombiano, cultivado nas encostas da Cordilheira dos Andes, entre os mais famosos do planeta. Outros apostam nas atuais safras brasileiras, que vêm ganhando prêmios importantes em concursos mundiais nos últimos anos, como nova apoteose do mercado de cafés de origem.

Neste post, focamos em dois produtores de peso da América do Sul: Brasil x Colômbia. Apresentamos as principais características do café colombiano e comparamos, também, a produção daquele país à brasileira. Citamos pontos em comum e as principais diferenças nas práticas de cultivo e no resultado de consumo adotados pelos Brasil, líder do ranking mundial de produção, e Colômbia, terceiro colocado.

No contexto do universo dos cafés especiais, a ideia não é fechar a questão sobre sabor, qualidade e ou custo x benefício, mas, sim, levar mais conhecimento ao apreciador apaixonado. Afinal, o que interessa é saborear experiências sensacionais a cada nova xícara, certo?  

A história do café colombiano

Segundo diz a lenda, foram os missionários jesuítas que levaram o café para a Colômbia, em meados de 1700. Mas dados históricos afirmam que a produção e a comercialização das primeiras sacas para o exterior tiveram início em 1835, a partir de Salazar de las Palmas, Norte de Santander. De Cúcuta, principal porto do país da América do Sul na época, o fruto dos cafeeiros era comercializado para cidades da Europa e, em 1860, o café já figurava como o principal produto de exportação da Colômbia.

Desde então, o cultivo de café se espalhou principalmente por meio da agricultura familiar, desenvolvida em pequenas propriedades de altitude elevada, com média entre 1,2 mil e 2 mil metros. O solo vulcânico – extremamente fértil -, a presença de microclimas (com temperaturas que variam de 8 a 24 graus), a variedade de elevação das lavouras, o regime peculiar de chuva e de exposição das plantas ao sol foram fatores determinantes para a qualidade superior dos grãos produzidos ali, quase que na totalidade de varietais arábica.

Vem justamente daí – das especificidades do terroir colombiano – uma das razões para a qualidade da produção dos cafés locais: varietais arábica se dão bem em altitude elevada, característica que exige o manejo artesanal das lavouras. Não por acaso, a colheita das cerejas de café é 100% manual, selecionada fruto a fruto. Com isso, a Colômbia foi um dos primeiros países do mundo a despontar na produção e no comércio de cafés direcionados ao mercado premium.

Os Andes e as regiões produtoras

Durante todo o século 20, o café se configurou produto primordial dentro das exportações colombianas. Em 1999, a cafeicultura representou 3,7% do produto interno bruto (PIB) nacional e 37% do emprego agrícola. Atualmente, a produção cafeeira na Colômbia envolve nada menos que meio milhão de agricultores e permanece como uma das principais atividades econômicas do país.

De acordo com dados recentes, a Colômbia exporta anualmente 11.000.000 de sacas de café, montante que movimenta, em média, US$ 2,58 bilhões. O país produz 12% do café comercializado no mundo, e ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas do Brasil, que ocupa a liderança, e do Vietnã, segundo colocado.   

As pequenas propriedades estão localizadas em 22 regiões, com três eixos ou grupos de destaque: Norte, Central e Sul. A região compreendida entre as cidades de Cali, Medellín e Bogotá é conhecida como a Zona Cafetero ou Eje Cafetero (Eixo Cafeeiro). As terras altas da Sierra Nevada de Santa Marta e as encosta da Cordilheira dos Andes que atravessam o país também são famosas pela qualidade das lavouras.

Para se ter uma ideia, a maior região central ao redor de Medellín, Armênia e Manizales compreende quase 14.000 quilômetros quadrados e é conhecida como eixo colombiano de cultivo de café. A produção é comercializada em selo único, com a marca MAM. Já a região montanhosa entre as cidades de Bogotá e Bucaramanga é menor, mas não menos importante.

Entre os principais pólos produtores estão, ainda, Nariño, Norte de Santander, Antioquia, Vale do Cauca, Huila, Tolima, Caldas, Risaralda, Quindío e Cundinamarca, entre outras.

A mais famosa região produtora de café, conhecida como o “cinturão do café”, é a parte central do país que inclui os departamentos de Caldas, Quindío e Risaralda. Este é o coração do café colombiano.

Mais ao sul, mais perto do Equador, os cafés são cultivados em altitudes mais elevadas devido às temperaturas mais altas. Isso permite que o café amadureça mais lentamente e, assim, desenvolva mais sabor. O rendimento é menor, mas estes são alguns dos grãos mais procurados que o país tem a oferecer.

O sabor do café colombiano

Região geográfica repleta de microclimas, a Colômbia dá origem a cafés arábica de varietais e de terroir diversificados, o que gera bebidas de sabores bem variados.   

A peculiaridade nos períodos de colheita, realizadas duas vezes ao ano a depender da região (tanto de abril a agosto quanto de setembro a janeiro), também interfere no perfil de sabor do grão.   

Em comum, baristas e apreciadores registram que os cafés colombianos são suaves e bem equilibrados. Possuem corpo médio e sedoso, níveis de acidez que variam do médio ao alto, doçura pronunciada. São fáceis de beber.

Alguns classificam os perfis de sabor dos grãos de acordo com a região produtora. Assim, o Norte produz cafés com notas de chocolate e nozes, menos acidez e mais corpo; a região Central é reconhecida por exemplares ricos em sabores de ervas e frutados; e o Sul dá origem a grãos com acidez marcante e aromas mais cítricos.

No mercado consumidor, o café colombiano é um dos preferidos como base para extração no método espresso. Isso por que recebe bem torras média e média escuras sem que fique amargo demais. Lembrando que tal característica é ressaltada pela moagem fresca, que permite a preservação dos óleos do grão, revelados na xícara.

Entre os cafés mais produzidos na Colômbia, os varietais bourbon, typica, caturra e maragogipe são os destaques.


Café colombiano x café brasileiro: qual é o melhor?

Certo, até aqui abordamos algumas das principais características dos cafés colombianos e o porquê de serem quase que exclusivamente direcionados ao mercado internacional. Mas em que medida a produção de grãos do país andino se difere da brasileira?

Em uma primeira análise, é importante lembrar que o café é um produto de terroir. Ou seja, a lavoura e o fruto recebem influências geográficas, de clima, solo, regime de chuvas. Muitas vezes, um mesmo cultivar origina safras de qualidade e sabores diferentes. Daí uma primeira conclusão: cada café é único.

Cabe a você, apreciador de cafés especiais, a escolha do estilo e sabor que mais combinam com seu perfil de consumo!

Particularidades da produção

Para além do terroir específico de cada país e região, também é possível listar outras diferenças entre os cafés colombiano e brasileiro.

Apesar de algumas similaridades como a altitude superior aos 1,2 mil metros nas lavouras arábica e a colheita manual dos frutos em ambos os países, lá e aqui o manejo no trato do grão é diferente.

No país andino, a maioria dos produtores trabalha com o café lavado. Ou seja, após colhidos, os frutos maduros são colocados de molho na água para serem despolpados e, depois, fermentados, por um período entre 12 e 36 horas. Após a fermentação, os frutos são secos naturalmente ao sol. O processamento a úmido é uma técnica que resulta em um produto mais limpo, brilhante e frutado, e impacta na acidez do café. Por isso, a bebida colombiana é considerada mais suave.

Esse tipo de manejo faz com que o café colombiano seja comercializado no mercado internacional no contrato tipo C, que designa o café tipo lavado e que precisa ser comercializado em no máximo 6 meses, sob risco de perder importantes características, como cor e aroma.

Já no Brasil o café é processado a seco (ainda dentro da fruta). O processo, chamado “natural”,  faz com que o grão contenha grande parte da doçura, característica que continuará na xícara. Em relação à preservação, o café seco pode ser armazenado por mais tempo. Além disso, possui cor, aroma e sabor mais intensos que o concorrente colombiano.

Uma dica para se familiarizar e distinguir os sabores é comparar a diferença gustativa na próxima ida à cafeteria!

Juan Valdez e o marketing assertivo do café colombiano

Já falamos aqui que a Colômbia produz quase que exclusivamente varietais 100% arábica. Mas o que nem todo mundo sabe é que foi principalmente o apoio governamental ao café local de origem superior que garantiu a fama mundial do país no universo cafeeiro gourmet.

Desde a metade do século passado, o governo colombiano reconhece o potencial econômico de sua indústria de café. Tanto que elegeu o produto como parte da identidade nacional do país, criou um órgão nacional para o desenvolvimento da cadeia produtiva – a Federação Colombiana de Produtores (FNC) e, a reboque, uma campanha de marketing que entrou para a história: a divulgação da marca Juan Valdez.

A campanha, iniciada em 1959, reúne as 22 regiões produtoras e personifica o produtor de café colombiano: um camponês que ama e vive do café, cuidando de seus grãos como se cultivasse um tesouro. A marca estabeleceu um padrão de atuação comercial com o foco no mercado premium, criando uma percepção de altíssima qualidade nos grandes mercados consumidores por meio da divulgação da marca e da abertura de cafeterias e e-commerce próprios.

Além do marketing assertivo e que é sucesso há seis décadas, o governo e a FNC trabalham na continuidade de projetos que visam não apenas a geração de lucros, mas também pesquisa, treinamento, proteção ambiental e desenvolvimento comunitário que contribuem positivamente para meio milhão de cafeicultores da Colômbia.

De fato, a UNESCO reconhece a região cafeeira colombiana como Patrimônio da Humanidade, descrevendo-a como “um exemplo excepcional de uma paisagem cultural sustentável e produtiva”.

Já o Brasil, maior produtor mundial, cultiva as espécies arábica e robusta e, até o início dos anos 2000, era reconhecido principalmente pelo café comercializado como commodity agrícola, objetivando o alto volume de sacas produzido, direcionado principalmente ao mercado comercial e não ao gourmet.

Apenas há pouco, o país começou  a desenvolver o mercado de cafés premium e ainda não realiza campanhas tão assertivas. No entanto, os cafés tupiniquins de qualidade superior vêm aparecendo e crescendo no cenário internacional.

Prova pode ser conferida na performance ascendente em concursos mundiais, como o Mundial de Brewers 2018 (café filtrado), quando o Café Fazenda Daterra, do Cerrado Mineiro, ficou com o primeiro lugar. Também saímos vitoriosos na edição 2018 do Coffee of Excellence, Cup of Excellence, um dos maiores  e mais respeitados prêmios do café mundial, com o Catuaí Vermelho da Fazenda Paraíso, em Carmo do Paranaíba, Minas Gerais.

Ou seja, o café premium brasileiro pode não ter alcançado ainda a mesma fama do colombiano, mas goza de qualidade indiscutível. E tem potencial de sobra para figurar entre os melhores do mundo!

Conheça as principais marcas de café colombiano

No mercado consumidor, o café colombiano é dividido em categorias de acordo com a qualidade. Nessa hierarquia, o grau mais alto é nomeado Supremo e configura, segundo especialistas, o melhor café cultivado na Colômbia. Na sequência, o segundo grau é o Extra, e o terceiro, Excelso, é uma mistura inferior das duas primeiras categorias.

Até algum tempo atrás, muitos comerciantes tinham o costume de misturar o café colombiano ao de outros países. Mas, diante do desenvolvimento do mercado de café premium, que valoriza a rastreabilidade dos grãos da origem até a xícara, a prática vem caindo em desuso.

Na dúvida se o café é mesmo do país andino?  Uma dica para ter certeza da origem dos grãos é procurar o selo “100% Brands of Colombia”. Além disso, cheque na embalagem ou no balcão, com o barista, informações mais detalhadas sobre a fazenda que produz o café e o terroir da região. Dados como altitude, método de processamento, tipo e data da torra são sinais para rastrear a cadeia produtiva e determinam características e qualidades do café.

A seguir, apresentamos as marcas de café colombiano de mais qualidade e mais consumidas no mercado internacional.

Lembrando que algumas empresas são sediadas na Colômbia, enquanto outras são torrefadoras americanas que importam e torram grãos colombianos de alta qualidade.

Don Pablo Colombian Supremo

Características do produto: Um café supremo colombiano de extrema qualidade, cultivado em regiões de altitude superior aos 1,2 mil metros, tem colheita selecionada e é torrado em pequenos lotes.

Perfil sensorial: O Don Palo é um café de sabor doce, rico e suave com um corpo médio e uma leve acidez para notas cítricas. A torra média-escura promove caramelização que salienta os açúcares naturais do grão. O efeito é a profusão de notas levemente defumadas, de noz e chocolate amargo.

Preço médio: de US$ 14,99 a US$ 34,99

Volcanica Colombian Peaberry

Características do produto: Conhecido pela seleção criteriosa que privilegia apenas grãos de qualidade superior, fruto de mutação genética de cada safra (cerca de 5% da lavoura), o café colombiano Peaberry é tido como uma raridade entre os Supremos. A produção 100% arábica é cultivada em solo vulcânico e altitudes entre 1,650 e 1,8 mil metros.

Perfil sensorial: As notas do Peaberry tem sabor suave, que remetem a cereja, chocolate, malte e nozes.  A finalização, levemente adstringente, evidencia chocolate e nuances de madeira. A torra média é praticada pela marca.

Preço médio: a partir de US$ 17,99

Juan Valdez

Características do produto: Como dito no texto do post, a marca reúne produtores de café premium de todas as regiões da Colômbia e é gerida pela Federação Nacional dos Cafeicultores. Hoje, os cafés Juan Valdez são comercializados em todo o mundo via cafeterias, delicatéssen e e-commerce.

Perfil sensorial: Como reúne diversos produtores de diferentes regiões como Sierra Nevada, Nariño, Huíla, Cauca, Santander, Tolima e Antioquia, é impossível descrever o sabor dos cafés da marca.  Nas lojas da rede, a Juan Valdez descreve que oferece um “universo de sabores e aromas de cafés preparados por baristas que todos os dias se orgulham de servir milhares de xícaras de café”. A marca também oferece linhas premium e sustentável.

Preço médio: R$ 99 (pacote de 500g do Expresso Juan Valdez Premiun Vólcan)

Koffee Kult Columbia Huila

Características do produto – O café é cultivado em pequenas propriedades familiares na região de Huila (Garzon, Pitalito e Neiva) com altitude média de 1,9 mil metros, em técnicas artesanais de manejo. A marca promove a torra média e em pequenos lotes (realizada nos EUA). No mercado, a comercialização se dá em grãos inteiros e em embalagens com fecho hermético, cuidado que garante o máximo de frescor ao produto.

Perfil sensorial: Varietais caturra, castillo e typica são os mais tradicionais nos cafés da marca. Em comum, apresentam corpo marcante, notas de canela e caramelo, sabor de cereja e finalização brilhante.

Preço médio: A partir de US$ 16

Eight O’Clock 100% Colombiano

Característica do produto – A marca norte-americana fundada em 1859 seleciona, torra e comercializa cafés especiais de todo o mundo. O 100% colombiano é selecionado exclusivamente em regiões de altitudes elevadas e ricos solos vulcânicos, colhidos em sua maturação ideal. A torra é a média. O produto possui o selo de aprovação da Rainforest Alliance.

Perfil sensorial: O café 100% colombiano é suave e traz como diferencial notas de vinho.

Preço médio: A partir de US$ 15

Colômbia Orgânica Java Planet

Características do produto – Com sede na Flórida (EUA), a Java Planet é conhecida por trabalhar com grãos especiais e orgânicos, selecionados nas principais regiões produtoras do planeta. O colombiano é comercializado em grãos inteiros e leva torra médio-escura.

Perfil sensorial: Suave, com leve acidez e sabor equilibrado.

Preço médio: US$ 29

As melhores marcas de cafés especiais

Neste post, fizemos um apanhado sobre os famosos cafés colombianos.

Discorremos sobre o porquê de produto com origem em cultivares de terroir específico, marcado pelo solo vulcânico e as altitudes dos Andes, terem alcançado sucesso no mercado gourmet internacional.

Agora que você conhece as principais características do café colombiano e sabe em que medida os grãos de lá se diferem dos varietais de qualidade superior produzidos no Brasil, fica mais fácil avaliar as possibilidades de sabor oferecidas em cada experiência de xícara!

Mas, afinal, qual é o melhor café do mundo?

Ano a ano, a comunidade especializada se reúne em torno de provas e concursos de avaliação. E, ano a ano, elege novos expoentes neste mercado. Assim, caro apreciador, acreditamos que esta é uma pergunta que seguirá provocando debate e experiências!

E um motivo a mais para que produtores do Brasil, da Colômbia e de todos os países cafeicultores permaneçam em constante desenvolvimento e busca para oferecer cafés de qualidade premium ao mercado coffee lover.   

Quer conhecer mais sobre os grãos de qualidade superior disponíveis no mercado? Confira nosso artigo sobre as melhores marcas de cafés especiais e se prepare para a próxima degustação!

Esperamos sua visita para aquele cafezinho!

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